a noosfera

Versando sobre o mundo e a política!



Quinta-feira, Janeiro 29, 2004

CÚPULA MUNDIAL SOBRE A SOCIEDADE DA INFORMAÇÃO

Já foi tratado neste espaço sobre a tal cúpula, acontecida em dezembro (GENEBRA). Depois disso várias pessoas se posicionaram sobre o que foi discutido e sobre os resultados alcançados.

Ignacio Ramonet, Diretor-presidente do Le Monde Diplomatique, escreve editorial neste periódico (JAN/2004) e mostra que a "...Declaração Final mal consegue disfarçar o fracasso das decisões sobre as principais questões em debate".

Segundo Ramonet: ´O projeto de criar um "Fundo de solidariedade digital" não saiu, pois os países ricos se recusaram a participar financeiramente...´

Dica da Carol. Valeu

postado por: NOOS 1/29/2004 08:53:55 AM



Quarta-feira, Janeiro 28, 2004

AINDA SOBRE SÃO PAULO

Aqueles que não nasceram aqui como eu entenderão. Por isso, reproduzo, na íntegra, artigo de Xico Sá, na revista da Folha:

"Ô Sãopaulão grande da peste!"

Juro, foi mais comovente do que ver o mar pela primeira vez. Minha chegada a esta cidade foi de bagunçar o coração, coisa de cinema.

"Cresce logo, menino, pra ir pra São Paulo", era só o que eu ouvia desde pirralho. "Toma o remédio para crescer e ir pra São Paulo". Chantagem materna infalível -eu tomava aquela Emulsão de Scott, à ba-se de óleo de fígado de bacalhau, achando uma delícia. Lambia os beiços.

Meus tios e primos, que já moravam por aqui, chegavam de férias cheios de histórias de grandezas paulistanas. O "tatuzão", cavando para fazer o metrô, era a coisa que mais me impressionava. Eu sonhava com aquele bicho gigante. "Estou trabalhando debaixo da terra", dizia um parente. "Lá é tão frio que chove até pedra de gelo", assombrava outro. Aquelas narrativas nos deixavam, matutos de Santana do Cariri, maravilhados. Será que um dia vamos conhecer essa terra? Será? Aquelas histórias, fábulas fantásticas, acabaram funcionando como um hormônio e tanto para o crescimento.

Quando o ônibus chegou à rodoviária, em janeiro de 1980, eu enxugava, com a manga da camisa, algumas rápidas lágrimas que escaparam pelas brechas da macheza semi-árida. Um alumbramento que me fazia enxergar um Sena onde havia apenas um acabrunhado Tietê. Eu já era um simpático rapaz dos seus 17 anos.

Peguei o metrô e sofri para achar a casa do meu tio Alberto, no Parque São Rafael, zona leste. Só a avenida Sapopemba era uma eternidade. "Ô Sãopaulão grande da peste, ô Sãopaulão grande da porra!", eu matutava. Dias depois, gastava o meu espanto de "novo baiano" na praça da Sé, no viaduto do Chá, na República, nos cines e teatros pornôs do Centrão; na rua Augusta esperava anoitecer e subia e descia só recolhendo imagens que seriam devidamente "escaneadas" na cama antes de pegar no sono.

Passeava sozinho por SP, exercendo a bela arte de chutar tampinhas e de abestalhar-me com as mulheres da cidade. Lindas, elegantes, estilosas... mas na delas. "Quase nenhuma te encara na rua, são econômicas do olhar", refletia este mal-diagramado que vos fala. "Só devem dar bola pra gente nas repartições, nas firmas... jamais nas ruas!"

Durante a temporada de um mês, só as generosas moças da Augusta, as "secretárias das calçadas" como dizia um sucesso brega da época, sorriram para mim. Coitado daquele rapaz, voltou para o Nordeste mais seco e necessitado do que retirante de quadro de Portinari.

No dia 1º de abril de 1990, depois de ter morado em Juazeiro (92 anos), Recife (466 anos) e Brasília (43), estava eu de volta, agora para ficar. Continuei achando as moças lindas. Agora já me sorriam nos corredores da firma. Mas foram necessários uns seis meses para que Maria Ligia, meu primeiro alumbramento da volta a SP, acreditasse na minha conversa de homem arriado de paixão. Que beleza! O Tietê voltou rapidinho à sua condição de Sena.

Para completar a euforia, descobri os sabiás da megalópole. Em pleno largo de Santa Cecília, acordava ouvindo esses danados. Ainda hoje me impressiona como tem sabiá nesta cidade. Tem mais sabiá aqui do que na mata atlântica inteira. Minha terra tem Palmeiras, São Paulo, Corinthians... onde canta o sabiá -como eu adorava recitar essa parodiazinha ridícula, meu prezado Gonçalves Dias.

Muitas Augustas, Angélicas e Consolações depois... Muitas bistecas e muitos engradados do Sujinho depois, vez por outra me pego ranzinza, reclamando e maldizendo a cidade. Até pareço um paulista nessas horas. Mas aí basta lembrar do que diz a minha mãe, aquela que me empurrava a Emulsão de Scott, para que o mau humor com a província de Piratininga se dissolva num segundo. Quando dona Maria do Socorro me ouve xingando essa terra, fala duro, com firmeza, num corretivo, como na infância: "Meu filho, fecha essa boca, você num sabe que São Paulo foi quem deu tudo que a gente tem?".


Xico Sá, 40, escriba e ornitólogo, coleciona gravações com cantos de sabiás de vários bairros de São Paulo.

postado por: NOOS 1/28/2004 12:06:24 PM



DEU NA MÍDIA II

InfoOnline, plantão info / E-Business, em 28 de janeiro de 2004: "Novo ministro tenta banda larga para escola". Leia aqui.

postado por: NOOS 1/28/2004 11:44:13 AM



DEU NA MÍDIA I

InfoOnline, Plantão Info/TI, em 28 de janeiro de 2004: "PL propõe medir índice de inclusão no Brasil". Leia aqui.

postado por: NOOS 1/28/2004 11:38:02 AM



DEU NA MÍDIA

Caderno 2, do Jornal O Estado de São Paulo, de 28 de Janeiro de 2004: "Gil cria setor Digital e de Software Livre no Ministério da Cultura". Leia aqui.

postado por: NOOS 1/28/2004 09:56:09 AM



Segunda-feira, Janeiro 26, 2004

TIME DA MODA!!!

Um amigo diz que se perguntarmos a uma pessoa se ela gosta de futebol e a resposta for negativa, invariavelmente, em seguida virá: "não gosto mas simpatizo com o São Paulo".

Ou seja, para esse amigo basta não gostar de futebol para ser sãopaulino.

Piadas (ou constatações) a parte, pesquisa do caderno de esporte da Folha de São Paulo, do último domingo, tenta traçar um perfil dos torcedores de futebol em nossa cidade.

Esta pesquisa mostra que a torcida que mais "varia de humor" é a do São Paulo, no auge das conquistas (anos 90) chegou à 30% da população, hoje está em torno de 20%. As outras não variaram.

Seria moda?!?!

Leia aqui a íntegra da pesquisa.

postado por: NOOS 1/26/2004 02:45:14 PM



MAIS ESPECIAIS SOBRE SÃO PAULO

Especial da Veja sobre São Paulo. Leia aqui

postado por: NOOS 1/26/2004 02:36:03 PM



SÃO PAULO: 450 ANOS

Depois de encerradas as comemorações pela passagem dos 450 anos de nossa (minha também, apesar de eu ser um caipira do interior) cidade ainda é tempo de parabenizar os paulistanos por essa data.

Mas este post tem a finalidade de compartilhar com todos o caderno especial 450 do Estadão.

É só clicar aqui e navegar por informações históricas, por algumas impressões dos participantes da expedição que percorreu sampa para colher material para o museu da cidade, dentre outras matérias.

Veja também colher informações sobre as comemorações no site do anhembi, bem como sobre a cidade no portal da prefeitura.

Todos valem a pena.

postado por: NOOS 1/26/2004 09:56:39 AM



Quarta-feira, Janeiro 21, 2004

FÓRUM SOCIAL MUNDIAL

Aconteceu entre 16 à 21 de janeiro, na cidade de Mumbai, na Índia, a quarta edição do Fórum Social Mundial.

A Rits - Rede de Informações para o Terceiro Setor, fez uma cobertura jornalística completa do evento.

É só clicar aqui e acompanhar o que de mais interessante rolou no Fórum.

postado por: NOOS 1/21/2004 03:10:32 PM



Segunda-feira, Janeiro 19, 2004

LOBBY!

Quando se diz que ninguém gostaria de saber como se fazem as leis e as salsichas ainda há aqueles que duvidam.

Recentemente o Congresso Nacional aprovou o chamado "Estatuto do Desarmamento". Não é a lei ideal, não vai resolver todos os problemas da violência, mas já é um passo.

Alguns Deputados, aqueles que se dizem defensores da população, aqueles que bradam contra a violência, aqueles que urram pela pena de morte, aqueles que defendem uma polícia que prende, julga e executa, se rebelaram e entraram no STF pedindo a inconstitucionalidade da medida, pois - talvez - acreditem que deva haver uma "guerra de todos contra todos".

Xico Vargas, escreve artigo no Nomínimo (Bancada do tiro no pé), mostrando que não é bem assim. Por detrás das boas intenções dos Srs. Deputados está o famoso "fundo de campanha".

No fundo é o bom e velho Lobby funcionando novamente. Vale a pena conferir e ficar atento.

postado por: NOOS 1/19/2004 03:42:04 PM



Quarta-feira, Janeiro 14, 2004

CONTO

A ilha deserta (José Saramago)


"Por ter feito demasiadas exigências ao comandante do barco que me transportava, fui desembarcado numa ilha deserta. Deram-me alimentos para quinze dias ou quinze anos (nunca cheguei a apurar ao certo), armas e munições (incluindo bombas atómicas), e dos regalos do barco consentiram que eu retirasse um livro e um disco. Escolhi o Dom Quixote e o Orfeu. Convirá explicar porquê.

Eu ia viver sozinho, e em paz, se possível. Ia ter muito trabalho e poucas distracções. Logo, não havia melhor livro que Dom Quixote, que faz rir e tem uma Dulcinéia inexistente, e o Orfeu, que faz chorar e tem uma Eurídice morta. Com esta deliberada ausência povoaria eu as minhas noites intermináveis.

Vivi desta maneira na ilha deserta. Não sei quanto tempo, mas foi mais de quinze dias e menos de quinze anos. Não cheguei a percorrer a ilha toda, mas sei que era deserta, porque se o não fosse não me teriam desembarcado lá. Perdi a fala pelo hábito de não falar, e com isso dei um pouco de silêncio ao mundo. Além do canto dos pássaros e do rugido de um animal feroz (nunca o vi, mas, pelo rugido, era feroz, de certeza), não se ouvia na ilha outra coisa além dos apelos desesperados de Orfeu e das gargalhadas de Sancho Pança. Dom Quixote, esse, passeava todas as manhãs pela praia rescendente de algas e sal, cada vez mais magro, montado nos ossos do Rocinante. À noite subia a uma pedra alta e ficava a contar as estrelas. Segurava no braço esquerdo o elmo de Mambrino, voltado ao contrário, e assim dava abrigo à pequena ave que ali se habituara a dormir. De lança na mão direita, Dom Quixote velava o sono do passarinho. De vez em quando, soltava um suspiro. Não cheguei a perguntar-lhe por que razão suspirava, porque entretanto já eu tinha chegado ao fim do livro.

Em boa paz vivemos os quatro na ilha deserta. Um dia deu à costa um grande caixote. Enquanto o abria, juntaram-se à minha volta os meus companheiros. Não estiveram muito tempo: logo viram que não vinha ali Eurídice, nem Dulcinéia, nem pipo de vinho. Cada um foi à sua vida, enquanto eu dava tratos à cabeça para saber o que aquilo era. Tinha luzes que acendiam e apagavam e parecia respirar. Foi mais tarde, quando a vida na ilha ameaçou a modificar-se, que descobri tratar-se de um computador, cérebro electrónico ou da família. Sabia tudo, eu não, claro, mas a máquina. Sempre era uma companhia. O pior foi que a nossa bela anarquia acabou. Orfeu só podia chorar a certas horas, a azevita de Dom Quixote foi acusada de transmitir a psitacose (e não era papagaio, juro), e Sancho Pança teve de pôr de parte os provérbios e aprender inglês. De certo modo, ganhámos com estas e outras modificações, mas ficou em todos nós uma inquietação, que era quase doença e que o computador não soube curar. Foi essa, se bem me lembro, a sua única demonstração de ignorância.

O que o computador fez de mim, nem é bom falar. Provou-me que eu estava errado em tudo quanto fora minha razão de ser e de sentir. Que, pelo contrário, o comandante do barco tivera mil motivos para me desembarcar, e que a ilha deserta não era tal, porque ele, computador, ali estava. Que o homem (o homem em geral, e eu em particular) é apenas uma boa anedota, mesmo quando (ou sobretudo quando) chora, sofre, ri ou sonha.

De maneira que morri. O computador continua lá. Mas eu tenho grandes esperanças. Se Dulcinéia ganha corpo e Eurídece ressucita, este mundo ainda é capaz de se tornar habitável."


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Esse conto me foi enviado por e-mail (ironia do destino) pela amiga Carol. Estávamos reclamando da frieza dos e-mails, telefones e outros apetrechos tecnológicos... resolvi compartilhá-lo com todos.

postado por: NOOS 1/14/2004 11:14:55 AM



Terça-feira, Janeiro 13, 2004

PROMESSA É DÍVIDA!!!

Comentários sobre o livro Manual Prático do Ódio


Conforme o prometido ai vão algumas observações sobre o livro do escritor Ferréz:

O cara melhorou muito do primeiro (Capão Pecado) para esse segundo livro. A narrativa chega a sufocar, a passagem da história de um personagem para o outro é dinâmica e não deixa que o leitor respire.

A construção do espaço é a partir dos personagens. Explico: no Capão Pecado era o espaço (a periferia) que construía os personagens, nesse a impressão que fica é que os personagens vão construindo o espaço onde se desenrola a trama. Isso tudo sem deixar a crítica social, sem deixar de criticar a falta de perspectiva de quem vive aquela realidade. Confesso que por essa característica o Manual Prático do Ódio poderia, facilmente, ser anterior ao Capão Pecado.

A personagem feminina forte é a Aninha. Inteligente, guerreira, sempre fazendo suas "correrias", se virando e buscando fugir de uma realidade dura que a acompanha desde a infância. Um avanço, pois a maioria das personagens femininas da narrativa - como comento abaixo, em geral são um retrato de tristeza e comiseração... Mães idealizadas.

Alguns Pecados (com perdão do trocadilho) que enxerguei na narrativa:

A descrição das passagens que envolvem sexo é um problema de saúde pública (já havia isso no primeiro livro do Ferréz) essa coisa de sexo oral, anal e vaginal (sem uma "higiene" - termo muito usado para outras passagens da narrativa) e não nessa ordem necessariamente pode causar problemas de saúde. Sem contar que sexo é somente com a amante. As companheiras (esposas, mulheres etc.) dos personagens dão um retrato do sofrimento das mulheres da periferia, sempre esperando o marido e com a comida a ser servida (mães).

Há algumas forçadas de mão do autor, compreendidas por ser uma ficção, mas que incomodam. Por exemplo: durante uma passagem uma empregada doméstica leva seu neto (se a memória não estiver me traindo) à casa da patroa rica, essa ao conhecê-lo diz mais ou menos a seguinte frase: Então é esse o menino que futuramente irá me assaltar?!?!

O final da história é surpreendente. Vale a pena a leitura!

postado por: NOOS 1/13/2004 10:06:09 AM



ESTAMOS DE VOLTA!!!
De novo!

E não é que no último minuto da prorrogação pintou uma "semaninha" de praia. É, o chicote do capitalismo continua açoitando, mas agora, o mundo não aparenta ser tão injusto.

Bom, dito isso, ai está o motivo de não ter atualizado o Blog nos últimos dias conforme o prometido. Mas, agora vai...

postado por: NOOS 1/13/2004 10:03:16 AM



Sexta-feira, Janeiro 02, 2004

ESTAMOS DE VOLTA!!!

Que férias que nada... Apenas um recesso.

É o chicote do capitalismo nos açoitando dia e noite.

Praia... nem pensar, cinema... tá louco... Só várias brejas e muita comida gordurosa. Tá na hora de um novo exame para medir o colesterol.

Enfim, estamos de volta.

PS. Acabei de ler o livro Manual Prático do Ódio, do escritor Ferrez. Prometo que dia 5 farei alguns comentários sobre o mesmo. Por enquanto estou sob os efeitos etílicos do final do ano e sob o impacto das várias mortes da narrativa.

postado por: NOOS 1/2/2004 10:55:49 AM




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